quarta-feira, 3 de abril de 2013

Enfermeiros especialistas em medicina

Aqui en Bolis o que mais tem é enfermeiro fazendo medicina. Aliás, tem de tudo; enfermeiro, fisioterapeutas,  biomédicos, farmacêuticos, dentistas, psicólogos etc; além de centenas de auxiliares e técnicos de enfermagem... enfim. A galera da saúde de saco cheio dos baixos salários e da falta de valorização; além, claro, buscando novos horizontes.

O problema é que o salário e a valorização do médico estão se defasando e é possível que as próximas gerações se depararão com condições não tão diferentes de suas atuais profissões.

É preciso mesmo que se tenha cuidado, que proteja e que se defenda suas profissões e que esses novos "médicos" cuidem da medicina como não cuidaram de suas antigas profissões.




Desleixo 

Há cerca de 15 anos atras, enfermeiro trabalha onde queria, rejeitava concursos públicos, tinha salários compatíveis com a categoria e vivia até bem; mas devido a total falta de ações contedoras por parte do COFEN (Conselho Federal de Enfermagem) e da abertura indiscriminada de novos cursos, além da falta de critério para seleção pelos vestibulares, a profissão veio perdendo gradativamente seu espaço e valorização; o mesmo se aplica a todas as outras profissões da área de saúde (PAS). A medicina ainda é exceção (uma exceção que vem perdendo força, porém, num ritmo mais lento que os outros).

E tem muitos enfermeiros (e outros PAS, e outros seres) que querem a revalidação automática de diploma de médico formado no estrangeiro; imaginem em dez anos como seria se todos os milhares de "médicos" formados fora do Brasil entrassem no mercado de trabalho sem fazer prova, automaticamente. Além do problema da falta de conhecimento, afinal tem muita tranqueira estudando aqui e que precisa ser filtrada com algum processo seletivo (prova), ainda teríamos o gargalo causado pelo excesso de profissionais.


Reações:

3 comentários :

  1. Não tenham ilusões. A medicina já está completamente desmoralizada e desvalorizada. O governo quer, por todos os meios, achatar os salários dos médicos, para diminuir os custos do sistema de saúde brasileiros. Para isso, toma medidas até ilegais. Por exemplo, considerar os participantes do mais médicos como bolsistas, sem carreira, sem férias, sem direitos trabalhistas.

    Uma coisa engraçada está acontecendo com os internos, que estão fazendo rodízio. Para começar, no regimento do internato, está escrito que a carga horária semanal é de 32 horas. Por que isso? Para enquadrar o interno nas leis que regem o estágio. Acontece que o interno é fundamental ao sistema de saúde brasileiro. Afinal o interno é responsável por boa parte do atendimento em postos de saúde do SUS. Sabemos muito bem que o interno não faz somente 32 horas por semana. 60 horas é o normal, tal como no caso de residentes. Pois bem, as outras horas simplesmente não são contadas.

    Mas por que o estagiário faz apenas 32 horas por semana? A lei do estágio foi feita, principalmente, para engenheiros. Os engenheiros estão cursando matérias do quinto ano e fazendo estágio. Assim, precisam de parte da semana para estudar. Os médicos, nos dois últimos anos do curso, dedicam-se totalmente ao internato. Não tem sentido limitar o tempo de trabalho em 32 horas. Além disso, essa limitação legal, mas não de fato, faz com que o estudante de medicina perca as horas que trabalhou além do limite. É como se essas horas não existissem.

    Conheço muitos médicos que ganham por volta de 3000 reais por mês. Aliás, se o médico não aceitar jornadas abusivas (60 horas por semana), não abrir mão do tempo de estudo e de descanso, então o salário dele vai ser esse mesmo, 3000 reais por mês.

    Um médico precisa, por semana, de pelo menos 20 horas para estudar e treinar técnicas cirúrgicas e laboratoriais. Pode trabalhar nas outras vinte horas. Mas se o médico exigir a jornada de 20 horas, o salário será, no máximo, de 3 mil reais. Aliás, esse é o valor da bolsa de residente.

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  2. Vou acrescentar mais alguns pontos ao comentário que fiz sobre a carreira médica. O engenheiro, no estágio, trabalha 32 horas e consegue estudar pelo menos 20 horas, aumentando seus conhecimentos e técnicas laboratoriais.

    O estudante de medicina, durante o internato, não pode limitar-se a trabalhar somente 32 horas. As turmas de medicina no Brasil são minúsculas devido às reprovações em massa. Não discordo da reprovação em massa. Afinal, vamos lidar com vidas humanas e o curso tem de ser elitista. Nem discordo do exame nacional que os estudantes de medicina brasileiros terão de fazer, a cada dois anos; para quem ainda não sabe, haverá um exame no fim do segundo ano, outro no fim do quarto ano, e um exame final no fim do último ano. As notas desse exame serão classificatórias para residência. Eis a notícia:

    O relator da Medida Provisória dos Mais Médicos, deputado Rogério Carvalho (PT-SE), incluiu no seu relatório a realização de um teste obrigatório de progresso dos estudantes de Medicina. Assim, o aluno será submetido a cada dois anos a uma avaliação (três ao longo de seis anos do curso) e, na especialização, fará outras duas provas para avaliar o “ganho de competência.” Carvalho afirmou que a medida foi incluída por sugestão da Andifes e de uma comissão de especialistas.

    Como disse, não sou contra nada disso. Mas os estudantes precisam de pelo menos 20 horas por semana para estudar. E não lhes são dadas essas 20 horas. No internato, chegamos a trabalhar até 60 horas. Conheço médicos formados que, por falta de tempo para estudar durante o internato, não conseguem passar nas provas de residência. Então param de trabalhar, ou contentam-se em fazer um plantão de fim de semana, e dedicam-se a fazer esse famigerado cursinho MED curso. A coisa é assim, se não voltar para a casa do papai, parar de trabalhar, e fazer cursinho, não passa na residência. Claro que isso não aconteceria se tivéssemos tempo para estudar.

    Como disse, devido a reprovações em massa, as turmas de medicina das universidades federais são minúsculas. Minha turma tem apenas 28 estudantes. Minha proposta, que vai ser ignorada, é claro, seria incorporar estudantes de escolas particulares e brasileiros que fazem faculdades no exterior ao internato das universidades federais. O procedimento seria simples. Se o estudante que está na Bolívia desejar pode fazer a prova bienal, que será aplicada pelo INEP. Se passar na primeira, que é feito ao fim do segundo ano, e na segunda prova, que é aplicada no fim do quarto ano, ganha o direito de transferir-se para uma universidade federal. A qualidade é mantida e ninguém sai perdendo.

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    1. PHILIPPOS COSTA, de fato, a realidade do médico brasileiro vem, a cada dia, mais sombria. Infelizmente já não existe o devido valor a este profissional como havia pouco tempo, existia.

      Com relação a sua proposta, seria ótima para todo mundo, pois diminuiria a sobrecarga aos internos brasileiros e daria oportunidades aos que estudam fora (provando suas devidas competências). Porém, isso esbarraria na legislação complexa do nosso país que só cria medidas interessantes, quando há interesse político (veja o Mais Médicos e sua complexidade (i)legal sendo ultrapassada). Não consigo imaginar interesse político nisso (obviamente os políticos conseguem ser mais criativos que eu - essa de Cuba foi demais), porém, a luta ia ser bem grande e, como disse, certamente seria ignorada.

      Me preocupa a situação da medicina atual e, infelizmente, não vejo com bons olhos nosso futuro.

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