domingo, 4 de junho de 2017

Meu primeiro plantão como médico de verdade

Essa postagem faz parte de minha história fazendo medicina na Bolívia, quer ler tudo? Clique aqui

Faz tempo que não posto nada por aqui, a vida anda meio corrida. Mas vou fazer um breve resumo de tudo.

Depois que cheguei da Bolis, fui providenciar meus documentos. Era tradução, regularização de situação eleitoral e muitas outras chatices para poder mandar o diploma a Brasília a ser revalidado.

Depois de tudo pronto e com a ajuda de uma pessoa especial que pesquisou um bom despachante, mandei o diploma a o profissional que levou meu diploma até a UnB em posse de uma procuração particular e deu entrada ao processo de revalidação. Tudo bem simples. Cerca de 12 dias depois o diploma estava em minhas mãos e fui correndo ao CRM me inscrever. Foi um momento ímpar, rs.
Achei que o CREMESP poderia me olhar torto por causa do diploma de fora, mas foi tudo muito tranquilo e respeitoso. Depois de cerca de 15 dias, me liberaram o número. A mesma pessoa especial foi quem viu, no site do CREMESP, numa quinta-feira à tarde, que o número havia sido liberado. Foi uma comemoração.

Comemorei muito (eu sou o cão sonolento, rs)

No mesmo momento já fui fazer o carimbo e mandar currículos. Me cadastrei em vários sites e empresas de colocação em mercado, mas foi tudo perda de tempo – e dinheiro. Por lá não consegui nada e então parti para os grupos de WhatsApp. Então começou a chover plantões.

Meu primeiro plantão

Foi no PA Maria Dirce, em Guarulhos. Plantão noturno de clínica médica. Estávamos em 3 médicos, um deles boliviano. Dividimos os horários e dormi 7 horas aquela noite. Plantão calmo e sem intercorrências. Me senti... kkk. Sério, foi muito bom. Diferente das experiências fora do Brasil, o médico aqui ainda é respeitado, as pessoas te tratam bem e normalmente você consegue, se for uma pessoa tranquila, lidar com tudo até certo ponto, bem. Claro que aparecem muitos problemas, mas não senti isso como sendo uma constante. Até agora.

Meu segundo plantão foi em pediatria. A administradora de um grupo postou uma vaga de plantão a noite em setor de pediatria, em emergência de um hospital (Hospital Saboya) e euzinho resolvi pegar. Ela disse que não precisava ser pediatra, então eu resolvi ir. Depois que fui olhar melhor que se tratava de um hospital e não de um PA ou AMA. Cheguei ao local e fui procurar a colega pediatra (de verdade) para dar o tal plantão com ela. Ai ela me explicou que la era hospital referência para vários PSs da região e que só recebemos casos graves para internação em UTI ou clínica pediátrica e que era “portas fechadas”. Eu estava com medo. Fui com ela ao conforto. Grande, com TV, quartos masculinos e femininos, café a vontade e cheio de médicos especialistas de várias áreas, desde eu (que não era nada ali) até neurocirurgião. Eu estava em meio a especialistas e, para se ter ideia, os residentes (que sabiam mais que eu) nem ali ficavam, era só especialista mesmo. Uma das primeiras coisas que fiz foi falar a pediatra que euzinho não era pediatra (e minha vontade era continuar dizendo que estava com medo, assustado, taquicardíaco, que não devia estar ali e que queria minha mãe). Ela perguntou se eu tinha experiência, pelo menos, e eu disse, obviamente, que “sim, que já havia feito estágio e blablabla” (mentira) e ela engoliu. Na verdade, ela era gente boa e, para minha sorte, não teve nada. Atendi a apenas uma criança mandada de um Ama com crise convulsiva (já era um pós comicial) e dei feno por via oral e mandei pra casa (ele já era epilético). Só isso.

Eu não posso fazer isso, não vou ficar nesse plantão... Ah, foda-se, vou sim...
Dividimos o horário, ela foi dormir primeiro da meia noite as três e meia e eu até as sete. Enquanto ela dormia, fiquei vendo TV deitado num sofá e orando para que não ligassem pedindo vaga. Ela me disse para não aceitar nada, pois a UTI estava com KPC (sempre amei as klebi). O telefone tocou e uma situação podre aconteceu, os pediatras de verdade dos PS me pediam vaga e eu negava. Coitados, mal sabiam eles que eu estava ali de paraquedas.

Dali fui ao Giglio, em Osasco, cobrir emergência porta fechada. Atendi a apenas um paciente. Aquela vaga também era voltada a pessoal com muita experiência. Tive sorte de ter aparecido apenas uma paciente e nem era tão grave. Dei conta.

Fui pra casa aliviado e pensando comigo que devia ter mais cuidado com os plantões que pegava. Mas o mais interessante foi a vontade que a administradora do grupo teve de eu ficar “fixo” no Saboya; será que gostaram de muá

Depois de cerca de 45 dias, fui até a solenidade de entrega das "carteirinhas". Ali reforçamos o juramento hipocrático, ouvimos aos médicos representantes da AMB, da Academia Médica de SP (um médico de 83 anos), do SIMESP e outros representantes. Eu achei que seria entediante e nem queria ir, mas no final, valeu a pena ter ido. Até emocionado eu fiquei, rs.

Missão. Passar 6 anos estudando para pegas isso. (aquele pensamento simplista que resume tudo)

Depois volto para contar mais sobre minhas experiências nos plantões da vida. Já rodei Sampa inteiro. Devo falar de salários e calotes também,


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