sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Revalida 2016, parte 1


Finalmente está chegando o grande dia. Venho estudando, em média, 8 horas por dia. Sei que deveria estar estudando bem mais do que isso. Faltam apenas 4 dias para a grande prova e acabei de chegar, em São Paulo, da Bolívia, depois de deixar todos os papeis prontos para, finalmente, pegar o diploma bolivicong para, depois, revalidar, caso eu passe na prova.
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Faltam dois dias para a prova, já não sei se devo continuar estudando ou se simplesmente deixo tudo como está. A impressão que tenho é que já não há mais o que ler ou o que rever; e isso é bom. Sera?! Medo, mãe, medo!

Tem como adiar mais umas semaninhas?


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Hoje, sábado, e amanhã é a prova. Não passarei a noite em casa, daqui a pouco vou a um hotel ao lado da faculdade onde a prova será feita. Ontem passei por lá, confirmei o endereço e a distância entre minha casa e a universidade, localizada no Bom Retiro, no centro de São Paulo. Mesmo sendo num domingo, a prova, não quero correr o risco de usar o metrô (vai que dá pane ou tem greve) ou ir de carro que pode quebrar ou pegar um engarrafamento, o que não seria nenhuma novidade nesta cidade cheia de imprevistos.

Vou deixar o notebook em casa e, portanto, não vou ver mais vídeos ou os resumos nele contidos. Dá uma vontadezinha de leva-lo, mas sei que não se estuda antes da prova; de qualquer maneira, vou levar meus resumos do caderno. 
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Hoje é domingo, dia 11 de setembro. Foi um dos dias mais importantes de minha vida. Finalmente fiz a tão esperada prova do Revalida. Esperei por seis anos por essa prova, mais de dois mil dias esperados por essa prova

Foram oito horas estipuladas para a realização, mas usei pouco desse tempo. Foi cansativo, principalmente a segunda prova, a discursiva. Outra hora entro em detalhes sobre a dificuldade de sua realização ou sobre os aspectos técnicos. Agora, vou falar de como foi minha visão de um quase médico cheio de expectativas, pressão, medo de dar errado, pressão, ansiedade, pressão... mais pressão.

Acordei cedo, tomei um café da manhã bem reforçado; um queijo quente com suco de laranja e 2 (DOIS) copos grandes cheios (CHEIOS) de café. Cheguei a faculdade as sete horas da manhã, uma hora antes do início da prova. Passei por detector de metais, fui encarado por policiais federais, checaram meus documentos e entrei na sala onde faria a prova. Cadeira dezessete. La estava meu nome. Que Inri Cristo me ajude!

Não adianta vir me pedir ajuda. Devia ter estudado mais!
As oito horas em ponto, depois do "apito inicial", a prova é aberta por mim e começo a respondê-la. Foram 100 questões terminadas antes das onze horas da manhã. Fui o primeiro da sala a sair. Sai feliz. Sai com a sensação de que havia dado o meu melhor, de que havia feito tudo o que poderia ter feito, mas não ali sentado respondendo a prova, e sim desde o início, desde quando abandonei a minha vida, meus dois empregos concursados, negligenciei minha família, em especial, minha filha... enfim, a velha ladainha. Mas, sim, fiz o que pude e me sentia bem comigo mesmo.

Quero nem ver saporra de prova.
Almocei no hotel um “prato feito” (mal feito, aliás). Deitei e fechei os olhos, queria esvaziar a mente e, sabia, a próxima prova, discursiva, seria a decisiva para o meu sucesso ou meu fracasso. As quinze horas, começo a prova. Ao meu lado, as mesmas pessoas (a maioria estrangeiros cubanos e bolivianos). Minhas mãos suavam e raramente fico nervoso desse jeito, mas dessa vez fiquei. Fechei a prova e olhei para o teto por uns segundos, precisava retomar o controle; respirei fundo e abri a prova de novo. Olhei todas as questões (cinco longas questões) antes de começar a responder. Ri comigo mesmo. Naquele momento, soube que me daria bem, bastasse manter a calma e expressasse tudo o que sabia.

Cerca de 16h30, acabei a prova. Parece que mil quilos de peso caíram de minhas costas. Descia os degraus, da universidade, leve. Sentia um nó na garganta. Queria abraçar alguém (oi?), queria falar com alguém, mas estava sem celular e não conhecia ninguém ali. Havia muita gente lá fora, a maioria acompanhante de pessoas que vieram fazer a prova e alguns que já haviam terminado. Podia ouvir algumas queixas das dificuldades e pequenos debates sobre o que deviam ter ou não respondido. Eu só conseguia ver o horizonte. Os prédios da cidade de São Paulo ali na minha frente. A selva de concreto. Me lembrava de quando sai daquela enorme cidade para me mudar por um bom tempo à Bolívia e não saberia quando ia voltar e, agora, estava quase terminando. Quase.


Fui pegar o metro e, ali, outro filme. Uma sensação muito intensa de dever cumprido tomou conta de mim. Parece que alguém chegou até mim e disse, no meu ouvido, que tudo tinha dado certo. Nó na garganta de novo. Pensei na minha mãe e na minha filha e no quanto deveriam estar orgulhas de mim. Eu estava.



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