terça-feira, 5 de maio de 2015

Primeiro dia - Diário de um interno



Estou fazendo internato de medicina num hospital de Santa Cruz de la Sierra, um local grande e muitas coisas para fazer, com muitos internos e serviços e programa de residência médica de R1 a R3. Agora conto como foi o primeiro dia.

Dia 1

Já comecei meu primeiro dia de internato fazendo o famoso turno. Mas o que é turno? Turno é o que no Brasil chamaríamos de plantão de 24 horas ou mais. Acontece que meus turnos durarão cerca de 33 horas e ocorrerão a cada dois dias com plantão em horário comercial entre um turno e outro, ou seja, corrido pra caralho. Nos turnos, tenho uma hora para almoço e uma hora para janta e nos plantões em horário comercial, duas horas de almoço; devia ser o contrário.

Minha primeira rotação: Pediatria

Chego. Sem local para guardar bolsa, mochila e etc., ou seja, sem armário. Deixo a mochila num canto do chão. Tudo isso aqui é normal, dizem. Logo de cara, me mandam ao setor de crianças desnutridas. Triste. Crianças com graus absurdos de desnutrição (sabe as fotos da África?). Minha função: acompanhar e evoluir durante todo o turno 4 crianças. Inicialmente empolgante, mas os residentes (que, a partir daqui chamarei de RE ou Resident Evil – Hospede do Mal) não dão um tempo. Gostam de pegar no pé por qualquer coisa, afinal, os pacientes estão sob sua responsabilidade. Neste primeiro dia vi pouca didática, a preocupação maior era com horário, com preenchimento de papeis, com regulamentos e etc. Será que é por ser o primeiro dia? Mais para frente esclareço nos próximos posts.

A noite chega e apenas 2h30 para descanso num quarto designado somente aos internos, mas notei que não havia cama para todo mundo, nem travesseiros, nem cobertores (noite bem fria).  Há banheiro para banho e outras necessidades, em ótimo estado.

Saio no outro dia pela manhã bem cansado. Não que tenha trabalhado muito. O grande problema, ao menos neste primeiro dia, foi que mal me disseram o que fazer, aonde ir, qual o objetivo de minha presença por ali, então fiquei rodando feito uma barata tonta sem saber o que “estava se passando”. 


        Conheci alguns internos, 90% deles são bolivianos e 100% dos residentes também são nativos. Enfim, foi interessante, não fosse a falta que senti de alguém ensinando-nos efetivamente a prática médica. Mas deve ter sido por ser apenas o primeiro dia. 

Em breve tem mais em o diário de um interno de medicina.


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