domingo, 24 de março de 2013

Visita a minha filha



Estar no Brasil, Sampa, é sempre bom. Rever a família, ir aos locais prediletos ou falar em português nas ruas é algo que não tem preço; pena que dura pouco.


Nessas férias (2012/2013) eu não trabalhei regularmente, fiz somente um bico e mal ganhei dinheiro, diferente das outras vezes; mesmo assim gostei bastante e me diverti um pouquinho. Eu e a MT saímos algumas vezes a locais simples, mas legais; tomamos bastante vinho numa adega perto de casa, comemos numa churrascaria muito boa no centro, fomos ao Ibirapuera (parque), a Santa Ifigênia (rua) onde revi o melhor da tecnologia chinesa de última geração e pude tomar um café expresso autêntico além de comer um queijo quente que somente em Sampa se come; aliás, comer foi o que mais fiz: muito pastel de feira, muita coxinha, muito churrasco de padaria (um pão francês com carne que vale uma refeição completa). 


Pode-se dizer que a despedida, dessa vez, foi a mais difícil. Mas valeu, e como valeu.


Cheguei ao Brasil, com a MT, no dia 13/12/2012 e saímos de São Paulo no dia 09/03/2013. As férias foram mega prolongadas e, invariavelmente um dia termina e precisamos voltar, mas, antes, vou contar como foi os dias, um pouquinho antes de sair da terra da feijoada (que, infelizmente, não comi dessa vez).

Antes de voltar para Bolívia, fui ver minha filha; e porque devo contar isso no Blog? Porque ela é umas das principais razões de eu estar aqui. Sem ela nada disso faria o sentido enorme que faz e, talvez, já teria desistido; ou seja, minha filha Maria Clara faz parte de tudo isso.

Ela esta (va) no RJ, num lugar chamado Itacuruçá, onde vive (vivia, já se mudaram de lá) com sua mãe e padrasto. É um lugar lindíssimo; litoral carioca, próximo a Angra dos Reis, com muita praia, sol, ilhas, pesca, barcos e, principalmente, tranquilidade. Fui visitá-la no meio da semana, dois dias antes de voltar à Bolívia, chegando por lá numa quarta-feira; fomos de ônibus, eu e MT



Muitas fotos da viagem ao Rio para ver a Maria

Veja os vídeos no final desse post


Ficamos quatro horas parados no meio da noite devido a rodovia estar interditada. Aproveitar e tirar fotos.

Nem imagino que lugar seja esse, rs



O ônibus vai pelo litoral e demorou mais de 14 horas para chegar ao destino devido problemas na rodovia e, quando dia amanhecia, consegui tirar essas fotos (abaixo) pela janela do ônibus. A viagem é linda, já que a rodovia por inteiro é paralela ao litoral. Desembarcamos em Angra e, de lá, fomos até o distrito de (pertencente a) Itaguaí, Itacuruçá. Enquanto estávamos no ônibus, ela, a Maria, me ligou três vezes querendo saber onde estávamos e porque estávamos demorando tanto; aquilo foi maravilhoso; fez-me sentir e ver o óbvio: ver que ela me esperava, que ela estava ansiosa assim como eu. Nesse momento mais do que nunca, vii que estava, sim, fazendo a coisa certa e que, mesmo tendo deixado provisoriamente o Brasil, minha filha seria eternamente minha filha passasse o que passasse porque o nosso amor é verdadeiro.
Sempre questiono minha ida a Bolívia por ficar ainda mais longe de minha filha, por não acompanhar de perto sua criação, por ela não ter minha presença física por mais momentos e, com isso, questiono se vale mesmo a pena vir fazer medicina fora do Brasil; mas quando vejo seu sorriso, quando ouço sua vozinha ansiosa para que eu chegue logo até ela, percebo que tudo vale a pena; quando é sincero e verdadeiro o preço é menos alto.

A caminho de ver minha filha depois de um ano. Pela janela do ônibus consegui pegar o amanhecer do dia.

Ainda pela janela do ônibus: o dia amanhecia e ainda estávamos no litoral de São Paulo; lindo como qualquer litoral do nordeste.

Chegamos. 

Não demorou muito minha princesinha chegou ao local combinado, trazida por sua mãe que nos deixou num cais onde embarcaríamos para a Ilha num barco-taxi (fotos e vídeos). A Maria Clara estava enorme, se comparo com a última vez que a vi ao vivo. Enorme e linda, como sempre. Foi uma emoção enorme revê-la. No início ela estava meio tímida, mas ainda no barco ela começou a se soltar respondendo a tudo o que perguntávamos e já com aquela expectativa de se divertir. Eu sempre tenho muito medo das reações dela, afinal, fico um ano sem vê-la, mas ela sempre reagiu muito bem, sempre me tratou lindamente como seu papai e sempre se divertiu muito; insegurança boba, essa minha.


A caminho da pousada, no barco, segurava a mãozinha da Cacaia. O vendo do litoral batia no meu rosto e brincava com os cabelos dela enquanto olhávamos juntos para o horizonte (ta,  sei, ta parecendo aquela musica da legião Urbana, rs). Ali estavam os dois; pai e filho. Duas pessoas que nasceram para se amar. Sentia-me pleno, realizado; ela, ainda tímida, aos poucos foi mostrando a garota feliz que sempre foi.



Chegamos. Desembarcamos. Hospedamos. A ilha parecia grande; mal via seu fim. Haviam muitas outras pousadas ao redor, todas à beira mar. Ficamos num flat quase completo. Tinha tudo o que precisávamos. O sol brilhava forte e não demorou a cairmos na praia depois de descansar do almoço. (Fotos e vídeos abaixo)
A Maia Clara é a filha que sempre sonhei. Sempre quis ter uma filha e ela é exatamente aquilo que imaginava em meus sonhos acordado. Espontânea, linda, inteligente e feliz; uma linda garotinha feliz. Um pai feliz.
Fizemos um pouco de tudo. Nadamos bastante, corremos, tentamos fazer castelos de areia, tentamos ter uma sessão cinema, imitamos cachorro, comemos besteiras, rimos muito de pequenas coisas. A MT contou a história da “pundolândia” para Maria, depois dela (Maria) peidar na cara da MT, no banho. 




A Maria adora água e não perde uma praia por nada








O que olhávamos?



Essa foto ficou ótima. 

Nussa... 

Maria tentando boiar.

Fazendo castelos de areia.

Castelo de areia após tsunami




Desistimos de fazer castelos para fazer pirâmides. Mais fácil.


E, à noite, cansados, capotamos de sono (eu e a MT, porque a Maria Clara ficou acordada até meia-noite). 

Antes de ir dormir, ela ainda fez poses de modelo. 

E tiramos mais fotos juntos



E mais fotos





Dorminhoca. Quase impossível acordá-la, não fosse as cócegas que fiz.
Mais brincadeiras e almoço no quiosque

Brincamos mais um pouco, almoçamos num quioxque carioca, brincamos mais (de esconder a “concha”). Mas na hora de acordar, a pequena quase não se levanta de tanto sono; mas a acordei com cócegas para não perdermos o café da manhã. Demorou uns vinte minutos para que ela acordasse.



Voltando de barco depois do check out na pousada.


Esperando o rango.

Com a bonequinha (presente) aleijada. Rimos muito disso.


Vai dar um trabalho.






"Concha"



Videos da nossa viagem ao litoral Rio de Janeiro








Depois veio a hora de partir. Uma tristeza.

Saímos de Itacuruçá umas 15h. Deixei-a “dormindo” no carro de sua mãe.
Saímos da Rodoviária Novo Rio as 23h30 e desembarcamos em Santo André com o dia claro.


A Maria Clara sempre gostou de levar consigo algum objeto que encontra a esmo. Uma vez foi um pauzinho, um graveto, que encontrara e passou a carregá-lo consigo e não o largou por nada; noutra vez, foi uma bolinha de ping-pong que achara num parque em Santo André. Dessa vez foi a “concha”(foto), um pedaço de porcelana que provavelmente pertencia a um prato quebrado.

Em quase todas as vezes (exceto uma vez que a visitei em BH) ela “dorme”. Acho que não gosta muito de despedir-se. Eu também não gosto.
Para voltar, optamos por sair doa Novo Rio, Rio, porque seria mais prático e passaríamos pela cidade maravilhosa. Ficamos, eu e a MT, umas 6 horas esperando para embarcar.
Na história da Pundolândia havia o King-pum, o príncipe punzinho e outras personagens e a história acontecia na pundolândia, uma terra gaseificada em algum lugar do cosmos. Haja imaginação! rs

Agora, aqui escrevendo, fico com aquela sensação de saudade, ansiedade por me formar logo e do quanto às coisas não são mesmo fáceis. É preciso querer e querer muito.


Dificuldades

Aqui tem muito bolivicong que tem filho, muita mãe ou pai que, pelas circunstâncias, deixa o filho com algum familiar; alguns trazem seus filhos para cá e há até famílias completas que se mudam temporariamente para acompanhar o filho ou o marido ou o neto na realização de seus estudos. Tem casal com ou sem filho que vende tudo o que tem no Brasil e muda-se para cá com a intenção de ambos, fazer medicina. Nem sempre funciona, nem sempre o dinheiro dá até o fim, nem sempre se adaptam e jogam com boa parte da vida. Muitos votam sem nada.

É preciso mesmo saber o que se quer ou aprender a querer, ao vir para cá, seja em que situação for.

Eu, pessoalmente, coloco essas questões familiares como um incentivo. Rola saudade? Claro. Rola vontade de chutar o balde e largar tudo pra ficar perto deles? Com certeza; mas procuro pensar que estou fazendo isso, dentre outras coisas, por eles, pra eles e pra mim. Minha família (filha, mãe, irmãos, amigos) é uma força a mais para mim e não um peso. O choro, a saudade ao ver fotos ou um vídeo, falar ao telefone e sentir a distancia física no fundo do peito ou as lembranças machucando a alma devem sempre te impulsionar para frente.







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