domingo, 24 de março de 2013

Mais uma busca por casa perambulando pela cidade


Abaixo, mais uma de minhas experiências pessoais aqui na cidade.

Minha quarta mudança de casa

Depois que cheguei do Brasil das férias, tivemos que nos mudar de novo e começou a busca por casa; sem casa, ficamos num hotel barato que aqui eles chamam de "residencial" que é uma espécie de pousada/hotel com um quarto bem básico e sem serviço nenhum. Serve para aquelas pessoas que não tem muito dinheiro, tipo eu.

Fomos (eu e a minha namorada) logo cedo para internet pesquisar casa. Achamos alguns sites com casas para alugar, mas a maioria deles estava desatualizado; uma bosta; a maioria dos telefones eram celular e gastamos uma fortuna ligando para um e para outro. Tudo era muito infrutífero e não estávamos conseguindo nada e fomos a casas realmente podres (no anúncio era tudo muito perfeito). Era uma decepção atras da outra; ou era caro demais, longe ou não tinha banheiro ou cozinha. Tinha uma casa que não tinha cozinha e o banheiro era para dividir com mais umas três famílias de bolivianos; parecia um cortiço.

Desistimos de procurar naquele dia e esperamos para tentar no dia seguinte quando o jornal El Deber publica seus classificados. Acontece que a noite choveu muito e quando chove por aqui, a cidade para (LEIA: Alagamentos em Santa Cruz) e tudo que já é difícil, se torna quase impossível.

O Jornal El Deber. A procura.

MT esperando táxi; mais a direita tem uns 50 bolivianos
concorrendo por um meio de transporte. Digite 5 para
 saber o que acontece na sequência da foto.
Começamos a busca logo cedo, após quase uma hora esperando um táxi nessa chuva (foto) competindo pelo transporte com dezenas de bolivianos, pois estávamos num local bem cheio de gente; mais uma bosta. No final, conseguimos embarcar num micro lotado (LEIA sobre os micro ônibus de Santa Cruz) e fomos até o centro onde passamos no banco, comemos algo e compramos o jornal para iniciar a pesquisa. A pesquisa começou ainda na lanchonete enquanto desayunamos. Assim como na web, tinha de tudo no El Deber e fomos anotando todos os anúncios que interessava, até que já quase no fim, encontrei um que me fez brilhar os olhos e a MT quando viu também se empolgou. Era um AP num condomínio fechado com segurança 24h, piscina e o escambau. Demorô, é esse mesmo! Decidimos. No anuncio, parecia ser bem perto da nossa universidade e a mulher que nos atendeu por telefone disse que tinha micro que passava de frente a ela. Perfeito, pensei.

A cidade estava um caos devido a chuva e tivemos que pagar 60 bolivianos pelo táxi (um absurdo, já que num dia normal seria, no máximo, a metade disso. Mesmo assim fomos.

Era o lugar mais longe que já tinha ido dentro dessa cidade. Passou e muito da universidade e seguimos por uma rodovia até entrarmos no que eles chamam de "urbanización" (loteamento) e depois seguirmos por uma rua malacabada até, depois de zanzar bastante, encontrar o tal "condomínio".

As leptos pira.

O lugar era bonito; tinha uma piscina pequena, os jardins bem cuidados e tinha um velhote que fazia "segurança"; só o pó, o coitado. Bem... entramos no condomínio e a dona nos mandou subir; era um prédio residencial. Subimos, nos apresentamos e entramos no AP. Era lindo, cara! Amplo, moderno, arejado; tinha cozinha e banheiro (ufaa), área de serviço e lavanderia, além de três quartos (como queríamos) e uma sala enorme; detalhes em mármore e muitas outras coisas chiques. Vimos o preço, era bom; vimos as condições de pagamentos, eram boas; se tinha água e luz, tinha; se tinha TV e internet, não tinha nem um e nem outro e não havia como colocar, ou seja, estávamos realmente en culo del mundo. Era longe demais e afastado de tudo de tal forma que nem chegava sinal de TV ou internet. Sem chances.

Rua que atravessamos e, mais ao fundo, o AP. Aonde
parece ter uma calçada, não tem calçada. É lama.
Saímos de la desolados debaixo da chuva que não dava tregua e ai vem o pior; estávamos no meio do nada, sem táxi, na chuva e ao nosso redor estava tudo alagado; teríamos de atravessar um alagamento a pé. Mais outra bosta. Estava com estomago doendo, desanimado, desolado; minha cabeça estava explodindo e não era a leptospirose; era desespero mesmo por querer muito uma casa, uma casinha linda, um larzinho quente e não encontrar. Depois de atravessarmos quase um quilômetro entre alagamentos e lamas, sujos, retornamos ao jornal (derretido de molhado) e continuamos a pesquisar; tinha um cara alugando uma casa de quatro quartos pertinho da faculdade (esse era perto mesmo porque o endereço era conhecido) e marcamos de encontrá-lo; pegamos um táxi e fomos até um local combinado onde ele nos encontraria, de frente uma creche. Chegamos, o táxi se foi e ligamos para o indivíduo para avisar que já chegamos. Ele simplesmente disse que não ia la porque estava ocupado com não sei o quê e nos deixou plantados ali; simples assim e sem maiores satisfações; tínhamos acabado de falar com o desgraçado e ele se comprometera de nos encontrar com seu carro ali. Naquela hora, desejei que ele tivesse um aneurisma roto e morresse sangrando pelos olhos. Mas quem quase teve um aneurisma foi eu; as ruas estavam alagadas por ali também e teríamos de atravessar tudo a pé de novo e quando já questionávamos Jesus Cristo o que se passava e o porquê de tudo aquilo, veio um táxi que estava trazendo alguém por ali, já voltaria e prometeu nos levar; logo depois ele voltou e embarcamos. Mais um assalto o valor cobrado (vale lembrar que aqui não tem taxímetro) e quando questionamos ele já ameaçou parar o táxi como quem não fazia questão de nos levar, alegando claramente que "em dias de chuva, eles cobram muito mais caro mesmo", afinal não tem micro ônibus e a lei selvagem da oferta e da procura, desregulamentada totalmente nesse país, prevalece deslealmente. Pagamos o que o filho da puta pediu, saímos dali e fomos comer.

Eu, desolado e todo molhado. Cara, que dia foi aquele?
Notem a minha calça molhada até o joelho, rs





















Enquanto comíamos um pollo, olhávamos, ainda, o jornal. Precisávamos mesmo sair do hotel, pois estávamos com a grana contadinha e pagar diária e ficar comendo fora todo dia não estava no orçamento. Ali, sentados a mesa devorando o frango frito, vimos mais uma anúncio que tínhamos sinalizado; ligamos e falamos com um tal Valdemar. O Valdemar é um freelancer que aluga casa de terceiros e recebe comissão, como uma imobiliária. Fomos até ele. Um senhor gentil, falador e atencioso que nos mostrou as várias opções que tinha para nosso perfil orçamentário; umas bostas (as casas que nos mostrou e nosso perfil). Queríamos com dois ou três quartos e pagar, no máximo, 230 dólares se dois quartos ou 330 se três, e tinha que ter banheiro (claro) e cozinha (claro!). O melhorzinho que o Ademar tinha era um AP com dois quartos e banheiro, além de uma micro cozinha. Acontece que era uma sala enorme que colocaram umas divisórias de madeira dividindo aquela sala grande em dois quartos pequenos, uma cozinha micro e um banheiro esquisito. O Ademar, apesar de gente boa, não tinha nada para nós, mesmo assim ficamos de ligar para ele depois, se fosse o caso (e era possível que fosse) e saímos de la desolados para pegar um micro e voltarmos para o hotel.

A caminho do micro, vi uma casa escrito "alquila una casa" e fomos bater la para ver o que era. Só estava a empregada e a dona só chegaria as 17h00 e ainda eram 16h00. Resolvemos esperar, já meio desanimados porque nada dava certo e tivemos a ideia de dar a volta pela rua de atras e ver a casa melhor; na rua de trás tinha um prédio grande e então tive a ideia de, mesmo sem placa alguma de alquiler (aluga), apertar a campainha e perguntar se estavam alugando (estávamos delirando, já) e, nisso, passa uma moça pela rua e nos vê ali meio desolados e fala conosco em português, era brasileira. Contamos nossas mazelas e ela prontamente nos disse que em sem prédio estavam alugando dois quartos e cozinha e na mesma rua tinha outra casa alugando; ala nos passou o fone da primeira, mas ela não estava disponível e então fomos a segunda; tocamos a campainha e fomos atendidos por um rapaz que nos mostrou toda a casa; dois quartos, cozinha e banheiro, além de área de serviço, porém, sem sala. A cozinha era linda e adoramos aquele lugar, só que era 2000 bolivianos e ficaria pesado pra nosso limitado orçamento, mesmo assim devido a boa casa, os donos gente boa e a falta de opção, decidimos que ficaríamos ali e faríamos as mudanças no dia seguinte. Mas e a Renata (menina que mora conosco)? A casa só tinha dois quartos, mas infelizmente não tínhamos outra opção.

Mas e a casa que tinha a placa de alquila una casa? Voltamos lá e a dona já tinha chegado e nos atendeu. Logo no início já sentimos a má vontade quando ela disse que não queria alugar a casa para brasileiro. Disse, num sorriso amarelo, que somos muito barulhentos e arruaceiros e prefere um nativo, mesmo assim ela insistiu para que víssemos a casa (insistiu, porque eu e a MT já nos propusemos a vazar dali). Com a insistência dela (principalmente depois que dissemos que nem todos os brasileiros eram assim e que era, o Brasil, um país enorme), entramos. Casa limpinha e bonitinha, mas ficamos olhando com desdém e muito superficialmente e a MT perguntou se havia cozinha e ela disse que não havia. Foi a deixa para sairmos e recusar; antes de sair, disse que era imprescindível uma cozinha. Porque? perguntou ela e respondi com um sorriso amarelo que tínhamos, sim ou sim, que comer comida brasileira.

Nossa nova casa. Valeu a correria.
No dia seguinte, olhando novamente o jornal (com insistência da MT, porque eu já tinha desistido), a antepenúltima linha de anúncio, tinha uma casa com três quartos e com praticamente o mesmo preço dessa outra de dois quartos. Ligamos. Era uma imobiliária; fomos até la e nos levaram até a casa para nos mostrar; um pouco longe, porém com três quartos, lavanderia coberta, cozinha e sala; perfect.

Fizemos os contratos, pagamos 1150 bolivianos de taxa à imobiliária, mais um aluguel adiantado mais um mês de garantia (garanto, veja abaixo)), mas estávamos felizes, enfim.

Finalmente tínhamos um lar e faríamos a mudança ainda no mesmo dia. Depois conto como foi a mudança. Tenso.




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