quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Estudantes de Medicina na Bolívia, Quem São Eles?

Antes de viajar a Bolívia, eu imaginava que, ao chegar aqui, encontraria tudo aquilo que imaginava num curso de medicina. Em minha fértil imaginação, eu via um palácio em estilo barroco pós-moderno-minimalista-renascentista-contemporâneo até que cheguei à Ecológica.

Expectativa



Realidade
Mas não somente de prédio em estilo barroco pós-moderno-minimalista-renascentista-contemporâneo vive uma universidade de medicina. Então eu ficava imaginando como seriam meus colegas alunos. Será que encontraria aqueles nerds que falam da singularidade, das partículas de Higgs ou do entrelaçamento quântico?! Poxa, curso de medicina, tradicionalmente, é onde estão os maiores nerds das universidades, seja ela Harvard ou a Une. Mas será?

Bom, vamos aos perfis dos alunos de medicina na Bolívia.


1) O riquinho.


O riquinho é aquele que só anda na moda com camisetas da Hollister, Tommy, Lacoast, Polo e tênis Nike shox. Vai ao banco e só saca em dólar. Entra no taxi sem negociar o preço. Compra notas, provas, vaga de internato e tudo o que o dinheiro puder resolver. O mais interessante do riquinho é que suas mensalidades da faculdade vivem atrasadas. Tem uma faculdade aqui (que nem vou falar o nome) que é cheio desses. UDABOLUDABOLUDABOL

2) O Ostentador da medicina

Esses postam aquelas fotos no facebook com óculos de leitura com um livro aberto e cara de serio. Na legenda algo do tipo “#estudando #medicina #amominhaprofissão” e os pais comentam com todo orgulho do mundo sobre a sorte que tem.

3) O sem noção



Pegam micro ônibus de jaleco (às vezes até com esteto no pescoço), tiram fotos com cadáver e postam na internet, sequestram cachorro pra treinar cirurgia e fazem outras coisas bizarras como comprar e vender ossos humanos para estudar anatomia.

4) O Enfermeiro

Se o cu tivesse cu, ele seria o cu do cu... Tudo o que o professor fala ele já sabe. Ele sabe intubar, sabe fazer parto, sabe fazer neurocirurgia... ai chega na prática e não sabe puncionar uma veia. O professor está dando aula e ele interrompe falando que aquilo está errado e que “no Brasil não é daquele jeito”. Faz perguntas fora de contexto com a aula ou então, pior, faz pergunta cuja resposta ele já “sabe” para testar o professor ou chamar atenção para si.
Leia aqui enfermeiros especialistas em medicina.
Em tempo. Eu também sou enfermeiro.

5) O mentiroso



Esse ai, quando no Brasil, é um zé-ninguém, mas ai vê na Bolívia (longe de casa), a chance de virar alguém. Então cria uma personalidade nova, um passado novo e até uma sexualidade nova. Muitos assumem a baitolice por aqui, longe do julgamento da família (nada contra a homossexualidade, é só uma constatação mesmo) e depois quando vão ao Brasil voltam a sua antiga personalidade vivendo um mundo de cada vez. Tem aqueles que mentem de sua vida no Brasil quando estão na Bolívia e mentem de sua vida sobre a Bolívia quando estão no Brasil. Aliás, tem deles que têm uma esposa aqui e outra no Brasil, tudo em segredo, claro.

6)  Os gastões



Esses são aqueles que inventam mil e um gastos para justificar o envio de dinheiro por suas famílias. Há uma história que ronda na Ecológica de um aluno que ligou aos pais para mandarem mais dinheiro, pois ele devia comprar um Aparato de Golgi (Aparelho de Golgi, aquele da célula), caso contrário, seria reprovado. E os país, inocentes, mandam.

7) O Baladeiro



Tu entra no face (de novo) da pessoa e ta lá as fotos na Goss, na Fazenda, no Bar Irlandês, na “Med” e todos os locais badalados da cidade. Churrasco todo final de semana. Ai depois posta uma foto de óculos com um livro aberto escrito “#amomedicina, #medicinaminhavida #futuramedica”.

8) O puxa-saco




O puxa saco faz de tudo para ser amiguinho dos professores. Faz tudo o que eles pedem, nunca faltam as aulas, fazem todas as tarefinhas idiotas que passam... eu diria que é uma forma adaptada do nerd para quem faz medicina na Bolívia.

9) O maconheiro



Isso tem em Harvard também.

10) O Verdadeiro Estudante.

1 em cada 100. É aquele que realmente está envolvido com a medicina.

Eu ia por uma foto minha aqui, mas deixa quieto, rsrs
Reações:

4 comentários :

  1. Estou escrevendo esse comentário aqui para tentar passar-lhe uma mensagem e também aos colegas futuros médicos que estão terminando o curso na Bolívia, neste fim de ano. Postei a coisa como comentário nesse artigo, pois é o mais recente e acho que você vai ler meu comentário. Pois é, você já deve estar sabendo e outros estudantes na Bolívia também. Mas mesmo assim, aqui vai: Começou a temporada de PSU, residência médica, no Brasil. Já fiz o PSU Minas Gerais e consegui 80 pontos. O exame também tem uma prova de inglês, o TOEFL, a mesma prova para estudar nos Estados Unidos. Peguei 113 pontos no TOEFL. O problema é que o PSU MG também mede a nota do ENADE de sua universidade. Na minha universidade, por causa da greve, os estudantes não fizeram ENADE quando avaliaram medicina. Por isso, perdi integralmente essa pontuação na prova de títulos. Mas acho que ainda pego Juiz de Fora. Vou fazer clínica, claro, para prosseguir para oncologia.

    Mas mesmo quem perdeu o PSU-MG, ainda existe CEREM Bahia (prova no fim do mês), USP, UFU, etc. Então, sugiro que façam os exames. É um pouquinho mais difícil do que o REVALIDA. A nota de corte fica entre 75 e 82 pontos. Sei pelo menos de um caso de estudante da Bolívia que terminou toda a residência em otorrino, sem ter passado no REVALIDA. Mas, é claro, essa pessoa só poderá exercer depois de passar no REVALIDA.

    Alair, espero encontrar você em alguma dessas provas. Por exemplo, na UFU, que é no dia 12 de dezembro. As inscrições já estão abertas.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, EDU500AC.

      Passar na prova de residência, que é, sim, mais difícil que a do REVALIDA devia ser suficiente para a revalidação do diploma. Acho, inclusíve, que ao inves de REVALIDA, o critério de seleção poderia ser os exames de residência. Isso daria aos "revalidados" a oportunidade de obter um título de especialista no Brasil além obter experiência no atendimento no SUS.

      Quanto a usar isso, sem meios regulamentados, como forma de revalidação, é um pouco mais complicado. Algumas universidades nem mesmo aceitam a participação na prova sem a revalidação, sendo necessário recorrer a justiça. Ainda que haja jurisprudência favorável (e desfavorável também), o revalidando precisa estar ciente do risco de não conseguir exito ao final. Mas vejo muita coisa positiva nessa ideia, como o fato de adquirir experiência em provas de residência, conseguir fazer uma residência e, principalmente, conseguir "adiantar" a especialização enquanto espera pela revalidação.

      Grande abraço e, quem sabe, numa dessas provas da vida nos trombamos por ai.

      Excluir
  2. Fazer a prova de residência sem ter feito o REVALIDA, não há problemas. Eles nada pedem na hora da inscrição. Depois da prova, se o candidato passou na prova, vem a análise dos títulos e o candidato pode perder pontos por não ter feito uma faculdade "boa". Há casos do candidato até passar na residência e fazer a residência inteira e não receber a revalidação. Duvida? Vou citar um exemplo concreto. Pode examinar a vida do Dr. Carlos Eduardo Arnez Arevalo. Você vai ver que ele está já com CRM 164437-SP tudo direitinho. Mas ele passou por várias situações desagradáveis. Dr. Carlos Arnez foi até acusado de exercício ilegal da medicina. Note bem, não há nenhuma lei que proíba um médico formado no exterior de fazer residência sem REVALIDA, desde que ele esteja sempre acompanhado de um preceptor quando atende um paciente. Pois o Dr. Carlos Arnez, até conseguir revalidar o diploma, sempre teve cuidado de estar acompanhado de um preceptor. Mas leia essa notícia de jornal:

    http://www.correiodeuberlandia.com.br/cidade-e-regiao/residentes-fazem-denuncia-contra-medicos-do-hcufu/

    De qualquer forma, se eu estudasse na Bolívia, eu faria a prova de residência e, caso passasse, iria fazendo residência e preparando para o REVALIDA. Caso não passasse, a prova de residência seria uma boa experiência. Quero observar que passar na prova é muito difícil, pois o pessoal do PROVAB têm aqueles 10% de bônus. E vocês da Bolívia ainda perdem os pontos dos títulos por ter estudado em faculdade sem nota do ENADE. Mesmo assim, fazer a prova de residência, mesmo não passando é muito divertido.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Partindo do pressuposto de que "aquilo que não é proibido é permitido", então seria "legal" fazer residência sem ter revalidado o diploma no Brasil.
      Antes, quando ainda não era moda fazer medicina na Bolívia, essas coisas eram muito mais fáceis. Hoje o que existe, ainda, é a grande quantidade de bolivianos que vão ao Brasil fazer especialização para depois retornarem a Bolívia para exercerem a profissão. Esses são programas de intercâmbio entre universidades e governo. Só lembrando que esses profissionais não poderão trabalhar dentro do Brasil sem ter revalidado e, em muitos casos, são obrigados a prestar serviço no país de origem.
      Mas concordo contigo que prestar a prova de residência mesmo sem ter revalidado é uma boa. Até porque, se passar na prova de residência, passar no REVALIDA é fichinha.

      Excluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...