domingo, 15 de setembro de 2013

Principais dúvidas de quem pretende fazer medicina na Bolívia


1. Tem vestibular?
Não. Somente nas universidades públicas (clique aqui e leia sobre as universidades de Santa Cruz de la Sierra) é que tem algum processo seletivo; nas privadas, o número de aluno é limitado pela procura, ou seja, tem número de vagas ilimitado e, se 3 mil pessoas quiserem se matricular no primeiro semestre, eles darão um jeito para acolher todo mundo. Tudo pelo dinheiro.

2. É mesmo barato as mensalidades? E o custo de vida?
Clique aqui e leia sobre os custos de fazer medicina na Bolívia.

3. Preciso reservar vaga para matrícula?
Não. De forma alguma. O número de vagas aqui é ilimitado e isso de reserva é algo que inventaram como forma de ganhar dinheiro, ou seja, contatam, principalmente pelas redes sociais ou Blogs nada sérios, pessoas que querem estudar na Bolívia, prometem um milhão de facilidades e exigem que façam a reserva da matrícula com risco de perder a vaga; isso não existe, se quer estudar por aqui, venha e se matricule onde bem quiser sem precisar reservar vaga nenhuma. Essas pessoas ganham comissões das universidades, por isso esses “assessores” exigem que os novatos reservem vaga, paguem adiantado e se matriculem justamente onde o “assessor” quer, para que ele ganhe a comissão daquela universidade onde tem “esquema” com ele. Nós, da Bolivicong Assessorias não exigimos nada adiantado e o interessado se matricula onde quiser, depois de conhecer todas as universidades. Clique aqui e leia como funciona nossa assessoria.

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5. Tem hospital-escola?
Não. As práticas, que são muito pobres, são ministradas em hospitais particulares ou unidades da rede pública. As práticas são 2 ou 3 vezes por semana e duram 1 ou 2 horas. Muito fraco.
 
5. Tem bons professores?
Sim. Mas muitos são fracos. Igual no Brasil.

6. Tem laboratórios?
Sim. Em Santa Cruz de la Sierra as universidades, no geral, tem bons laboratórios de anatomia, fisiologia ou bioquímica. De microbiologia são fracos.

7. Quanto tempo dura o curso?
5 anos de teorias associadas a práticas hospitalares fracas e mais um ano de internato, este último parece ser bom e é onde os alunos realmente “aprendem” a atender pacientes. O grande problema é que, em muitos casos, a medicina é exercida empiricamente e você aprende uma prática que não te ajudará tanto no Brasil, principalmente se pretende passar na prova do Revalida, que é extremamente técnica e segue protocolos de atendimentos científicos e validados internacionalmente, coisa que pouco se vê por aqui.
Depois desses 6 anos, tem, ainda, a província que durará, a partir de agora, 6 meses.

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8. O que é a província?
Província é o mesmo que “interior”, no Brasil. São cidades interioranas onde o serviço de saúde é precário. Então o governo local teve a geniosa ideia de criar o serviço médico obrigatório. Depois que você se forma, é obrigado a trabalhar por 3 meses para o governo boliviano, em locais onde não têm médicos ou estrutura de saúde, sem receber salário ou qualquer ajuda de custo (é absolutamente tudo por sua conta). Mas se você tiver 500 dólares para dar aos corruptos, consegue fazer ao lado de sua casa.

9. E depois da província, você está formado?
Não. Precisa fazer a prova de “grado”. Uma espécie de avaliação teórica (que não avalia nada, muitos até compravam os avaliadores) do aprendizado do aluno. Somente pega o diploma quem passa nessa tal prova. Tem gente que espera 1 ano para marcar a tal prova de grado.

10. Agora sou médico?
Não no Brasil. Pode até por o estetoscópio no pescoço ou dar plantões ilegais por ai, mas só é legalmente médico no Brasil quem tem CRM e, para ter CRM, é preciso passar no Revalida. Alguns demoram mais de 5 anos para passar na prova de revalidação de diploma de médico; outros passam de primeira, depende de cada um. Fez as contas de quanto tempo demorará em se tornar médico no Brasil optando pela Bolívia?

Meu Blog fala a real. Não vendo ilusão a ninguém, porém, se com tudo isso ainda quer vir, venha, pois se você fizer tudo certinho, for um aluno esforçado, conseguirá se formar e ser médico no Brasil. Vale a pena para os fortes. É medicina, meus caros.

Decidiu que vem? Clique aqui e leia os 10 passos para fazer medicina na Bolívia.

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Reações:

3 comentários :

  1. FALO TODAS AS VERDADES !

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  2. Alair, uma curiosidade. Respondendo a uma pergunta minha sobre internato, você informou que 10% dos ingressantes chegam ao intertato. Assim o processo de seleção é semelhante ao da França: Todo mundo ingressa, mas poucos chegam ao fim dos estudos. Na França, porém, os estudantes são eliminados em, no máximo, dois anos. Assim, os que não conseguem seguir o curso perdem relativamente pouco tempo. Na Bolivia, onde a ideia é faturar com os estudantes incapazes de seguir o curso, imagino que o estudante é mantido na escola pelo maior tempo possível, de modo a pagar muitas mensalidades antes de desistir ou ser jubilado. Seria assim mesmo? O estudante ficaria 3, 4 anos antes do jubilamento?

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    Respostas
    1. Na verdade, existe uma variação enorme nos motivos que levam os alunos a desistirem.
      A maioria deles, que desistem, são aventureiros que não sabem o que quer ou são pessoas realmente incapazes intelectualmente de seguir no curso, ainda que, como vc disse, a universidade dê todas as condições desses péssimos alunos permanecerem, afim de manterem seus lucros financeiros.
      Muitos desistem nos primeiros semestres, alguns até decepcionados com a má qualidade e preferem tentar algo melhor; outros porque não se adaptam (e ai entra o fato de não quererem tanto ser médicos afim de superar isso) e outros desistem mais adiante, seja porque se enrolam com excesso de reprovações ou por alguma intercorrência financeira, por exemplo.

      Espero que tenha conseguido responder sua pergunta.

      Abraço.

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